Neuropsicologia e câncer no Sistema Nervoso Central

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O Sistema Nervoso Central (SNC) é complexo e fundamental para a manutenção da vida e das funções cognitivas, comportamentais, emocionais e motoras. Cada região do encéfalo apresenta um papel importante e possui suas funções específicas, porém, devido aos circuitos e conexões cerebrais, diferentes áreas podem ter suas contribuições em processos mentais mais complexos.

Diante disso, podemos pensar sobre a quantidade de consequências que podem resultar de um tumor nessa região.

Os tumores de SNC podem acarretar sintomas primários focais ou generalizados em seus portadores, não sendo possível estabelecer um perfil unitário sobre suas consequências neuropsicológicas. Apesar disso, existem algumas características que são comumente encontradas dependendo da localização do tumor. Neoplasias que acometem o lobo frontal, por exemplo, podem causar alterações comportamentais, negação da doença, diminuição da atenção, perda da motivação e comprometimento do controle inibitório e do planejamento de ações. Além disso, o circuito orbitofrontal lateral e o circuito do cíngulo anterior conectam o lobo frontal à estruturas cerebrais responsáveis pela regulação do humor, o que pode contribuir para sintomas como apatia e depressão.

Os tumores localizados no SNC podem causar danos ao funcionamento cerebral de duas formas diferentes de acordo com o tipo de neoplasia:

● Tumores císticos: aqueles que se formam como uma entidade distinta ao encéfalo e permanecem encapsulados, pressionando o tecido encefálico conforme crescem;
● Tumores infiltrativos: não possuem bordas delimitadas, destroem as células normais e ocupam seus lugares, interferindo no funcionamento normal do SNC.

O impacto do tratamento

Adicionados aos déficits relacionados ao tumor propriamente dito e à sua localização, também podem ser encontradas alterações neuropsicológicas como consequência das diferentes modalidades de tratamento. Na maioria dos casos de tumores no SNC, o principal tratamento é o cirúrgico, que pode causar sequelas em áreas de grande expressão funcional também relacionadas à localização do tumor.

A radioterapia e a radiocirurgia são formas de tratamento adjuvantes importantes, mas que são associados a desmielinização e danos em pequenos vasos sanguíneos, podendo gerar sequelas como atrofia cerebral, demência e déficits focais (diminuição do tempo de reação e da velocidade de processamento, déficits nas memórias de evocação e de trabalho, deficiência na capacidade de aprendizado, entre outros).

A quimioterapia, por sua vez, é associada a alterações na memória de trabalho, funções executivas e velocidade de processamento, que costumam ser observadas durante o tratamento, mas podem persistir mesmo após o término das medicações. As dificuldades cognitivas relacionadas à quimioterapia (não somente para neoplasias do SNC) têm sido chamadas de “Chemo-Brain”.

A avaliação neuropsicológica

Dados atuais da literatura sugerem que 91% dos pacientes com tumores primários do SNC apresentam alteração em ao menos 1 domínio cognitivo e que 70% dos pacientes vão apresentar alterações em ao menos 3 domínios. Dessa forma, uma avaliação neuropsicológica se faz relevante em diversos momentos de um tratamento para neoplasias do SNC, tendo papel importante na identificação do tipo e da extensão das alterações do funcionamento cerebral, na discriminação das alterações cognitivas preservadas e comprometidas, na investigação da presença de alterações comportamentais e do humor, na avaliação de mudanças ao longo do tempo de intervenções medicamentosas e no auxílio à neurocirurgiões sobre o desfecho de intervenções cirúrgicas. Objetiva ainda, a realização de relatórios para laudos médicos relacionados à capacidade para dirigir, trabalhar, estudar, entre outras atividades, estabelecimento de metas para reabilitação cognitiva, compreensão quanto à interação do funcionamento cerebral, cognição e o estabelecimento de quadros de humor ou psiquiátricos.

Nessas avaliações, devem ser investigados fatores neuropsicológicos anteriores ao adoecimento, assim como aspectos relacionados ao neurodesenvolvimento do indivíduo, e devem ser avaliados domínios cognitivos como: inteligência, memórias (de curto e longo prazo e verbal e visuoespacial), atenção, fluência verbal, aprendizado, funções executivas, aspectos motores, comportamento e humor.

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